Consórcio de imóveis cresce 7,3% em um ano

 

RIO — A aquisição de imóveis através de consórcios voltou a crescer. A modalidade de crédito
avançou 7,3% em março, em comparação com mesmo mês do ano passado, de acordo com a
Associação Brasileira de Administradoras de Consórcio ( ABAC ). Hoje, são 850 mil participantes em
todo país.
A grande vantagem da modalidade é não cobrar os altos juros de um financiamento imobiliário.
Apesar da expectativa de ser contemplado com o valor da carta de crédito em pouco tempo, o prazo
máximo para receber o valor e adquirir a casa própria é de 18 anos, enquanto isso o cotista terá que
pagar os custos de aluguel, por exemplo.

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A decisão por comprar uma cota do consórcio imobiliário deve ser analisada com cautela. De acordo
com especialistas, o sistema é adequado para consumidores que buscam construir poupança de
longo prazo e que não têm pressa para adquirir o imóvel:

— O consórcio tem vantagens em relação a um financiamento imobiliário, especialmente porque
não há cobrança de juros. Mas é importante é que você não esteja precisando imediatamente. A
desvantagem é a possibilidade de desvalorização da sua carta de crédito. Muita coisa pode
acontecer neste período. Ainda que o dinheiro seja corrigido, os imóveis têm dinâmicas de preços
próprias — observa Lízia Jacintho, presidente da Associação de Mutuários (AmuRio).
Para advogados, o aumento do número de consumidores endividados e com restrições ao crédito
que não conseguem aprovação de financiamento pode estar contribuindo para o crescimento do
setor:
— Não é para todo mundo, mas uma pessoa com restrições de crédito consegue comprar cota no
consórcio. Depois, no momento da aquisição do bem, a administradora exige garantias se a pessoa
estiver com nome sujo — diz Roberto Renault, do Renault Advogados Associados.]

Trabalhadores usaram R$ 34 mil em FGTS

Na modalidade de consórcio de imóveis, é possível utilizar o Fundo de Garantia do Tempo de
Serviço (FGTS). A utilização parcial ou total dos saldos das contas do FGTS somou pouco mais de
R$ 34,23 milhões, feitos por 795 trabalhadores que são participantes de consórcio de imóveis, no
primeiro trimestre de 2018, segundo dados da Associação Brasileira de Consórcio ( Abac ).
— O cotista pode usar o fundo para oferecer um lance no consórcio e aumentar as chances de ser
contemplado mais rápido. A outra possibilidade é, se já foi contemplado, ele pode complementar a
carta de crédito para adquirir o imóvel — explica Paulo Rossi, presidente da Abac .
23/04/2018 Miti | Inteligência – Consórcio de imóveis cresce 7,3% em um ano
http://miti.com.br/ce2/?a=noticia 3/4
Esse foi o caso da pedagoga Elizabeth Diniz, de 35 anos. Ela e o então noivo compraram cotas em
um consórcio de imóveis antes do casamento. Pouco mais de um ano depois, foram contemplados
e usaram seu FGTS para abater a dívida:
— A experiência com o consórcio foi boa porque não tínhamos nos casado e podíamos esperar o
sorteio para nos mudarmos. A única questão que pesou para o orçamento foi a parcela progressiva
que aumentava ao longo dos anos. Se você não se preparar, pode se enrolar para manter o
pagamento em dia — relata ela.

Para especialistas, dois termômetros são importantes antes da adesão ao consórcio e devem ser
observados pelo candidato; a taxa de inadimplência do consórcio e sua taxa de administração.
Entrevista: Paulo Roberto Rossi, presidente da Associação Brasileira de Consórcios
A que fatores podemos atribuir esse crescimento da modalidade?
A pessoa está entrando como uma poupadora. O que percebemos foi uma mudança do
comportamento do consumidor durante a crise, especialmente observando conceitos da educação
financeira. Na última pesquisa que fizemos em 2016, a maior parte dos cotistas era formada pelas
classes C e D. Tem um apelo popular interessante.
Houve alguma alteração de modelo?
Notamos ainda que houve um prologamento do tempo médio dos consórcios, que passaram de 10 anos para 16.

Fonte: O Globo – Home – Rio de Janeiro/RJ (22/04/2018)

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